IA & Agentes
Copilot Studio do zero [3] - Criando seu primeiro agente do zero: o DataDay
Fala dataholics, bora de mais conteúdo técnico! Essa é a parte 3 da nossa série Copilot Studio do zero. Nos posts anteriores a gente desenhou o mapa do ecossistema e depois abriu o capô pra ver a anatomia de um agente (os 6 blocos). Chega de teoria: hoje a gente cria um agente do zero, sem escrever código.
E não vai ser um "oi, como posso ajudar" genérico. Vamos criar o DataDay, um agente que responde sobre o calendário da empresa: feriados, eventos de cultura, treinamentos e encontros, lendo tudo direto de uma planilha no SharePoint. É um caso real e útil pra qualquer time.
O que veremos nesse post:
O que vamos construir (o caso do DataDay)
Passo 1: criar o agente e escrever as Instructions
Passo 2: plugar o SharePoint como Knowledge
Passo 3: Tools e Work IQ (o que o print mostra por baixo)
Passo 4: testar o agente e ler o grounding
Uma pegadinha do Web Search
Bônus: um Trigger agendado pra deixar o agente proativo
Resumo

O passo a passo completo está no vídeo abaixo. Aviso: o vídeo é sem narração, só a gravação da tela mostrando cada clique. A explicação de verdade, o porquê de cada escolha, está aqui no post. Então segue lendo que eu conecto tudo.
O que vamos construir: o DataDay
Toda empresa tem aquele calendário anual que ninguém lembra onde está. "Quando é a festa junina?", "esse feriado é facultativo?", "quando tem o próximo treinamento?". A resposta existe, mas está numa planilha perdida no SharePoint.
A ideia do DataDay é simples: você pergunta em linguagem natural e ele responde com base no calendário oficial, citando a fonte. Nada de chutar data. Se não está na planilha, ele diz que não sabe e manda procurar o time de Cultura.
Pra isso a gente vai usar quatro dos seis blocos que vimos no post anterior: Instructions (as regras), Knowledge (o SharePoint), Tools (pra buscar eventos e puxar contexto do usuário) e no fim um Trigger (pra ele agir sozinho). Simples assim, um agente útil não precisa dos seis blocos de uma vez.
Passo 1: criar o agente e escrever as Instructions
No Copilot Studio você clica em Create, dá um nome (DataDay), uma descrição curta e cai na tela de configuração. O primeiro bloco que importa é o Instructions, o famoso "system prompt" só que em português, sem código.
Aqui é onde você define o comportamento. No DataDay eu escrevi algo nessa linha:
Você é o DataDay, o assistente de agenda e cultura da empresa.
Responda dúvidas sobre o calendário oficial: feriados, eventos de
cultura, treinamentos e encontros.
Regras:
- Responda SOMENTE com base no Knowledge (calendário no SharePoint).
- Nunca invente datas, cidades ou nomes de eventos.
- Se não estiver no calendário, diga que não consta e oriente
procurar a equipe de Cultura.
- Sempre traga a DATA e o MÊS do evento. Cite a fonte.
- Diferencie feriado nacional de evento interno e de facultativo.
- Responda em português do Brasil, de forma curta e direta.Repare que metade das regras é sobre o que ele NÃO pode fazer. Esse "nunca invente, e se não souber diga que não sabe" é o que separa um agente confiável de um chatbot que fala bonito e erra feio.
Passo 2: plugar o SharePoint como Knowledge
Agora o coração do agente. No bloco Knowledge a gente aponta pro SharePoint onde vive a planilha Calendário Dataside 2026.xlsx. É isso que dá o grounding: em vez de o modelo responder com o conhecimento genérico dele, ele busca a resposta nos SEUS dados e cita a origem.
Na prática você cola a URL do site/documento do SharePoint e pronto, o agente já enxerga o calendário. E aqui vai um detalhe importante que muita gente erra: o Copilot não cria um índice próprio nem copia seus dados pra lugar nenhum. Ele reaproveita o índice nativo de busca do SharePoint / Microsoft 365 (o Microsoft Search, com o semantic index que o M365 já mantém). Ou seja: sem pipeline, sem re-indexar, sem vector database na mão. É RAG gerenciado em cima do que o SharePoint já indexa pra você.
Reginaldo, e ele respeita quem pode ver o quê?
Sim. O Copilot herda as permissões do SharePoint. Se o usuário não tem acesso ao arquivo, o agente não usa aquilo pra responder pra ele. Segurança e permissões vão render um post inteiro mais pra frente na série, mas já guarda que isso é nativo.
Passo 3: Tools e Work IQ (o que roda por baixo)
Só com Instructions e Knowledge o DataDay já responde. Mas eu adicionei um tempero a mais nas Tools: uma tool chamada ListEvents (via MCP) pra listar eventos de forma estruturada, e ativei o Work IQ, aquela camada de contexto do Microsoft 365 que vimos no post 2.
No print do teste, olha o painel da esquerda: aparecem Work IQ User, Work IQ Copilot e Work IQ Calendar (todos em Preview, inicializados via Model Context Protocol) e a tool ListEvents sendo acionada. É o agente montando o contexto: quem é você, qual seu calendário, e a lista de eventos, antes de escrever a resposta.
Passo 4: testar e ler o grounding
Com tudo plugado, bora no painel Test (canto superior direito, ele abre do lado enquanto você configura). Eu mandei um "Procure no sharepoint" e pedi os eventos de janeiro. Olha o resultado:

Duas coisas pra você reparar nesse print, porque é aqui que a mágica fica visível:
No meio, o card Search sources mostra a query que o agente montou ("Eventos Dataside janeiro 2026") e as Referenced sources que ele consultou, incluindo o Calendário Dataside 2026.xlsx do SharePoint. Ou seja: dá pra AUDITAR de onde veio cada resposta.
À direita, a resposta final: ele listou certinho 01/01 Ano Novo (feriado nacional), 07 a 09/01 Trilha de Desenvolvimento, 13/01 Comitê de Diversidade, e por aí vai, tudo com data e separando feriado de evento interno, exatamente como pedimos nas Instructions.
Esse card de fontes é ouro pra depurar. Quando o agente responder algo estranho, é a primeira coisa que você abre pra ver o que ele leu (e o que ele NÃO leu).
Uma pegadinha: o Web Search se intrometendo
Repara de novo nas fontes do print: além do calendário do SharePoint, apareceram resultados de web tipo "Eventos de janeiro 2026 Visit Rio" e "Datas Comemorativas". Isso acontece porque o toggle de Web Search estava ligado no Knowledge, e o agente saiu buscando na internet também.
DETALHE IMPORTANTE: pra um agente que responde sobre o SEU calendário, web aberta é ruído (e risco de trazer data errada). Por isso eu mandei o "Procure no sharepoint", pra empurrar ele pra fonte certa. A solução definitiva é desligar o Web Search ou reforçar nas Instructions pra priorizar o SharePoint. Fica a dica: quando a fonte tem que ser a interna, feche a porta da web.
Bônus: deixando o DataDay proativo com um Trigger
Até aqui o DataDay só fala quando alguém pergunta. Lembra dos Triggers lá do post 2? São eles que acordam o agente sozinho. No vídeo eu criei um Trigger do tipo agendado (schedule): em vez de esperar você abrir o chat, ele dispara num horário definido, tipo toda segunda de manhã, e pode te empurrar os eventos e feriados da semana no Teams ou por email.
Esse é o pulo do gato: o calendário deixa de ser algo que você precisa LEMBRAR de consultar e vira algo que chega até você. Um Trigger agendado somado à listagem de eventos que a gente já montou vira um lembrete automático da agenda da empresa, sem ninguém mexer um dedo. Reativo virou proativo com poucos cliques.
RESUMO
Um agente útil nasce com pouco: Instructions + Knowledge já resolvem muita coisa.
Instructions: escreva as regras em português, e gaste metade delas dizendo o que o agente NÃO pode (não inventar, dizer quando não sabe).
Knowledge com SharePoint é RAG gerenciado: cola a URL e ele usa o índice nativo do SharePoint (não cria índice próprio) e ainda respeita as permissões do arquivo.
Tools e Work IQ dão o tempero: contexto do usuário, do calendário e listagem estruturada de eventos.
Um Trigger agendado deixa o agente proativo: ele te avisa da agenda sozinho, sem você perguntar.
O card Search sources no Test mostra a query e as fontes usadas, use ele pra auditar e depurar.
Cuidado com o Web Search ligado quando a fonte tem que ser interna: desligue ou priorize o SharePoint nas Instructions.
Pronto, seu primeiro agente de pé, do Create até ele respondendo, sem uma linha de código. Bacana demais o que dá pra montar em poucos minutos.
Ele já responde. Mas será que responde BEM, sempre? No próximo post da série a gente coloca o DataDay à prova com o Evaluation do Copilot Studio, rodando um conjunto de perguntas de uma vez e vendo onde ele passa e onde ele falha. Spoiler: ele falha em uma. Bora juntos!
Referências:
https://learn.microsoft.com/en-us/microsoft-copilot-studio/fundamentals-get-started
https://learn.microsoft.com/en-us/microsoft-copilot-studio/knowledge-add-sharepoint
https://learn.microsoft.com/en-us/microsoft-copilot-studio/use-work-iq
Fique bem e até a próxima.
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